Botânica . Plantas

As plantas sempre estiveram presentes nos meus processos criativos, uma constante de cenários, paisagens miméticas e adornos. O ensaio Botânica . Plantas teve origem nos meus estudos de linhas espirituais indianas, onde em meio às leituras conheci Boser, um botânico indiano que dedicou a sua vida ao estudo das plantas. As pesquisas também envolveram experimentos e observações de plantas, minérios e metais. Minha percepção de que as plantas vivas não poderiam ser simplesmente expropriadas de sua natureza me fez elaborar manufaturas imagéticas usando plantas caídas, aquelas que já completaram o seu ciclo de vida e estão em processo de secagem e decomposição naturais. Botânica . Plantas, esse trabalho em processo, se constitui num catálogo botânico imaginário: espécies fictícias são montadas como um quebra cabeças no qual as flores e as folhas não fazem originalmente parte de uma mesma planta. Em paralelo, crio uma nomenclatura igualmente fictícia, baseada nas técnicas de denominação clássica da ciência botânica. As descrições técnicas das plantas fictícias serão como um fluxo de um trabalho lógico, como uma equação matemática, por exemplo. No catálogo, símbolos geométricos vão determinar por onde sobe a seiva e quais caminhos ela percorre, tal qual um fluxograma utilizado na organização de ideias corporativas. Cada planta possuirá um código de barras que brinca com números pertencentes à sequência Fibonacci, que se manifesta de formas distintas em todos os seres vivos. Elaboro um catálogo de plantas inventadas.

Marília Vasconcellos